#05

Lane
Marinho

Designer, baiana e dona de um senso estético apurado, Lane Marinho é uma artista à moda antiga. Gosta das miudezas, dos detalhes, de viver devagar para sentir o mundo.

Trabalhou por quase 10 anos em grandes marcas de calçados, onde aprendeu todas as etapas da construção de um sapato: “Sou muito curiosa e apaixonada pelo processo de como as coisas são criadas. Sempre perguntava tudo, queria entender das medidas, do calce, do desenho, dos materiais.”

“Meu processo de criação é bem livre.
Não tenho um script a seguir. Vou fazendo, sentindo, tentando levar o trabalho de forma mais orgânica. Acredito que isso me permite transmitir algo mais genuíno e não-engessado.”

Em 2013, na busca por um estilo de vida novo, que englobasse uma forma de trabalho com mais propósito, decidiu abrir seu próprio ateliê em São Paulo. Lá, tudo é feito por ela de forma artesanal e sob medida: o desenho, a modelagem, o corte, a montagem.

Para ela, trabalhar com as mãos, sem pressa, de forma artesanal é um processo que valoriza o ser humano. “Tem a ver com ter uma relação diferente com o tempo, em ser mais natural, em esperar as flores brotarem, em ver as folhas mudarem de cor e enxergar poesia nisso”, explica ela.

As pedras naturais, conchas, telas e cordas são alguns dos materiais favoritos de Lane Marinho e estão presentes em todas as suas criações, evidenciando sua paixão pelo mar e pela natureza.

“Tenho uma relação de grande afeto com
o mar. Desde criança, sempre trazia pedras, conchas e tudo que eu encontrava para fazer acessórios, colares. Sempre tive essa paixão pelo enfeite, pelo adorno.”

Engana-se quem pensa que o trabalho termina por aí. Depois que os sapatos estão prontos, é hora de se dedicar às fotografias, feitas em still life, dentro de cenários que unem objetos, cores, plantas, tudo pensado para contextualizar as peças. “Gosto de compor cenas e criar enquadramentos interessantes. É a mesma sensação boa de desenhar. Aprendi a fotografar com meu irmão e hoje é uma parte do trabalho que amo muito fazer.”

Para Lane, que nunca se identificou com o grande mercado de varejo, a transição de sua carreira vai muito além do âmbito profissional. É uma grande mudança de consciência a respeito de seu papel como criadora, como pessoa e de seu impacto no mundo.

“Li ou ouvi outro dia que é possível
viver uma vida simples e grandiosa.
Me identifico muito com essa ideia
e espero poder continuar meu percurso com essa intenção: de viver grande, enorme, olhando para a simplicidade
da vida como um grande tesouro que tanta gente procura usando telescópios.”

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